Repassando Matéria de JOÃO PEREIRA COUTINHO/ FOLHA DE SÃO PAULO

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Repassando Matéria de JOÃO PEREIRA COUTINHO/ FOLHA DE SÃO PAULO

Mensagem  criss em Qua Jun 25, 2008 8:59 am

Repassando

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Pais, filhos e gays A busca de super-homens é uma quimera longa e trágica na história humana

SERÁ POSSÍVEL escolher as preferências sexuais de um filho? Não, não falo de preferências por ruivas, loiras ou morenas. A questão, levantada pela cibernética "Slate", vai mais fundo: será possível mexer na base neurobiológica de uma criatura e "reprogramá-la" para ela gostar do sexo oposto?
Talvez. Conta a "Slate" que longe vão os tempos em que a homossexualidade era encarada como escolha pessoal ou produto do meio. A homossexualidade é um fato natural -como a cor dos olhos, a pigmentação da pele-, e estudos recentes apóiam a tese ao mostrarem diferenças visíveis no cérebro de homos e héteros.
Parece que os gays têm cérebros muito semelhantes aos das mulheres hétero. E parece que as lésbicas têm cérebros muito semelhantes aos dos homens hétero.
Mas os estudos não ficam restritos a esse retrato. Os cientistas dão um passo além e sugerem que importantes influências hormonais, durante e pouco depois da gestação, determinam a constituição neurobiológica do indivíduo. E, se os hormônios desempenham papel principal, abre-se a porta prometida: "reorientar" os hormônios, "reorientar" a preferência sexual do bebê.
A possibilidade recebe aplausos. A Igreja Católica, confrontada com tal cenário, esquece a sua própria doutrina sobre os limites da manipulação médica e apóia decididamente a busca de uma "terapia" capaz de "curar" a "doença" homossexual.
Mais impressionante é a opinião da maioria: questionada sobre a possibilidade de conhecer a orientação sexual do filho por meio de um teste pré-natal, a generalidade não hesitaria em recorrer ao aborto ou à "reprogramação" caso a sexualidade da criança apontasse para o lado "errado". No fundo, quem não salvaria um filho do preconceito social ou da "doença" homossexual?
Fatalmente, a questão é desonesta. Aceitar as premissas do debate lançado pela "Slate" -aceitar, no fundo, que, por meio da ciência, é possível reverter a orientação sexual de um ser humano- é aceitar, implicitamente, que a homossexualidade é uma doença. E, aceitando-o, permitir que a medicina a trate exatamente como trata qualquer doença.
A realidade não legitima a fantasia. A síndrome de Down ou a espinha bífida, por exemplo, são doenças no sentido mais básico do termo: elas impedem que um ser humano tenha uma vida plena. Podemos discutir se a medicina deve e pode "manipular" genética ou biologicamente uma vida humana para erradicar esses males. E podemos discutir se esses males legitimam a interrupção da gravidez.
Mas essas discussões são distintas do problema inicial: reconhecer a Down ou a espinha bífida como fatores objetivamente incapacitantes de uma vida normal.
A homossexualidade não é uma doença. Pode ser motivo de preconceito social, dificuldade relacional, neurose pessoal -mas não é impeditiva de um funcionamento pleno do indivíduo nem põe em risco a sua sobrevivência futura.
Nada disso significa, porém, que não exista uma base neurobiológica capaz de explicar a orientação sexual. É possível e até provável. Exatamente como é possível e provável que certas propensões da personalidade humana -para a depressão, para a liderança, para a criatividade- estejam já inscritas na nossa natureza.
Mas isso não autoriza a medicina a procurar o paradigma do Super-Homem, dotado da dosagem certa de humor, capacidade de chefia, talento para a pintura e para o sapateado. A busca de super-homens é uma quimera longa e trágica na história humana.
Resta a questão final: e os pais? Confrontados com a possibilidade de "reprogramarem" a orientação sexual de um filho ou de descartarem- no via "aborto terapêutico", terão os pais o direito de pedir à medicina esse instrumento seletivo e subjetivo?
Aceitar essa possibilidade é aceitar que, no futuro, os pais poderão determinar a vida futura dos filhos. Escolher a orientação sexual; o temperamento; a vocação intelectual; a excelência atlética ou estética.
Não duvido que a maioria, confrontada com tal hipótese, reservasse para a descendência o cruzamento ideal entre Brad Pitt, Albert Einstein e Pelé.
Mas um tal gesto seria uma tripla violência: contra a medicina e a sua função especificamente curativa; contra o mistério e a diversidade da vida humana; mas também contra os próprios filhos, condenados a habitar vidas que não lhes pertenceriam, mas que foram desenhadas pela vaidade, soberba e tirania de seus progenitores.




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Re: Repassando Matéria de JOÃO PEREIRA COUTINHO/ FOLHA DE SÃO PAULO

Mensagem  ~Angel~ em Seg Jun 30, 2008 1:46 am

O autor dessa matéria vai bem direto ao ponto, eu acredito e defendo que a "opção sexual" não é uma opção, do mesmo jeito que a cor dos olhos, do cabelo e da pele não são opções. Podemos mascarar a nossa cor dos olhos, do cabelo ou da pele (vide Michael Jackson @.@) mas nunca deixaremos de ser do jeito que Deus (ou a natureza, para quem não acredita em Deus) nos fez.
O problema é, se é possível modificar e manipular as características do ser humano ainda na gestação, quem é que tem o direito de decidir que características devem ser modificadas e quais outras devem ser mantidas? Simplesmente porque não gostamos de algo devemos exterminá-lo?
Ou seja, eu acho que ser gay é errado, então manipulo embriões para que nenhum deles seja gay ao crescer, ai de repente vem outro e acha que olhos castanhos são feios e manipula embriões para que os olhos castanhos sejam erradicados, ai depois vem outro e acha que tem que manipular embriões para que nenhum nasça negro, índio, com cabelos cacheados, com menos de 1,70 de altura, com nariz grande... whatever... Quem é que tem o direito de decidir quais traços ou características do ser humano não devem existir? Só porque eu não gosto de uma característica genética de alguém tenho direito de mudá-la?
Se assim fosse, seriamos todos iguais, uma "frota" de robôs idênticos... é esse o mundo que querem criar para os nossos filhos, netos, bisnetos? Não seria bem mais fácil ensinar os nossos filhos a apreciar a diversidade? a conviver com a diferença? a aceitar e amar o seu próximo do jeito que ele é?
O equilíbrio do nosso planeta vem da diversidade, sobrevivemos por causa da diversidade, viver só vale a pena por causa da diversidade. Quando Deus (a natureza, a mãe Gaia ou quem quer que esteja no comando) criou o homem e os animais e as plantas, tinha em mente a variedade, a diferença, a harmonia de seres que se complementam. Pretender mudar isso é dar um passo mais para a destruição da nossa espécie.
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Re: Repassando Matéria de JOÃO PEREIRA COUTINHO/ FOLHA DE SÃO PAULO

Mensagem  Convidad em Seg Jun 30, 2008 5:41 pm

E é por isso que eu digo e repito:

VIVA A DIVERSIDADE!!!!! \O/"\o/"\O/

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Re: Repassando Matéria de JOÃO PEREIRA COUTINHO/ FOLHA DE SÃO PAULO

Mensagem  criss em Ter Jul 01, 2008 9:47 am

É isso ai amigas estou com vcs, acho que temos que aprender a aceitar a todos como são.
A Angel falou tudo que eu gostaria de dizer, penso completamente como vc amiga.
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Re: Repassando Matéria de JOÃO PEREIRA COUTINHO/ FOLHA DE SÃO PAULO

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